08/07/2024 às 12h20min - Atualizada em 08/07/2024 às 12h20min

Brasil é o início de uma rota de imigração ilegal até os Estados Unidos; entenda como

O Jornal Nacional acompanhou um grupo de indianos que, depois de desembarcar no Brasil, entrou ilegalmente na Bolívia. Estrangeiros passam por outros nove países antes de entrar nos Estados Unidos.


As concessões de refúgio no Brasil mais que dobraram em 2023. Apesar disso, muitos estrangeiros não querem continuar no país.

É o caso de alguns imigrantes indianos, que estão atravessando a fronteira com a Bolívia para chegar ilegalmente aos Estados Unidos. Esses grupos são coordenados por venezuelanos.

Tudo começa no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, onde os estrangeiros chegam em voos da Europa e pedem refúgio.

Jornal Nacional acompanhou um desses grupos, mas optou por não divulgar a identificação porque eles são vítimas do esquema de migração ilegal.

Em junho, quase 400 pessoas - a maioria indianos - ficaram acampadas no aeroporto por causa de um problema no sistema de cadastro de refugiados

 Só com o protocolo de solicitação de refúgio, essas pessoas já podem tirar documentos brasileiros - como o CPF - ter acesso a serviços públicos e trabalhar, mas muitas delas ficam por pouco tempo no país. É que o Brasil é visto como um primeiro passo para realizar um sonho, a cerca de 10 mil quilômetros daqui.

Assim que são liberadas, elas seguem para um hotel no centro da capital paulista, onde ficam hospedadas.

 

“São da Índia. Vem para cá para ir aos Estados Unidos”, conta o recepcionista do hotel, que também revelou que os imigrantes ficam hospedados por cerca de uma semana e, depois, seguem para a rodoviária.

 

Depois desse período, o grupo que o Jornal Nacional acompanhou foi até o guichê de uma empresa de ônibus. Um deles entrega dinheiro para um homem venezuelano, o mesmo que é citado no início desta reportagem, que compra as passagens.

Usando um tradutor no celular, um indiano informa que tem 28 anos e que foi proibido de falar sobre a viagem.

O Jornal Nacional embarcou no ônibus com alguns imigrantes. São quase 15 horas de viagem até chegar em Campo Grande (MS) e mais sete horas até Corumbá

Na cidade, eles são abordados por motoristas de táxi e aplicativos, que os levam até a fronteira com a Bolívia.

"Nós pegamos e deixamos. Aí, eles se viram. O problema deles. O coiote vem e combina com eles", diz um motorista.

Na fronteira, o grupo desce do veículo e entra na Bolívia percorrendo uma trilha pelo mato. A passagem ilegal é para a cidade de Porto Quijarro. O trecho não é fiscalizado.

Depois de entrar na Bolívia, os estrangeiros ainda passam por outros nove países antes de tentar entrar nos Estados Unidos.

A travessia entre a América do Sul e a América Central passa por uma das rotas de imigração mais perigosas do mundo. É que o percurso passa pela Selva de Dárien, entre a Colômbia e o Panamá. A mata tropical tem montanhas íngremes e rios.

A região é dominada por grupos criminosos, afirma o procurador do Ministério Público Federal.

 

“As pessoas são muitas vezes ludibriadas, enganadas e às vezes passam por situações totalmente desumanas (...) há muitos muitos relatos de pessoas que são estupradas, violentadas..... enfim é um pesadelo”, conta o procurador.

 A Polícia Federal diz que o Brasil sempre foi usado como rota de imigrantes e que as investigações têm focado em descapitalizar as quadrilhas, que são internacionais.

"As pessoas passam o tempo inteiro, na sua frente, nas suas costas. As nossas fronteiras têm mais de 16 mil quilômetros (...) é um desafio impossível de se controlar 100%. Os Estados Unidos têm 3.600 km de fronteira com o México, mesmo assim não conseguem vigiar aquele pedaço", afirma o chefe da Divisão de Repressão ao Tráfico de Pessoas e Contrabando de Imigrantes da Polícia Federal.

O indiano que conversou com a equipe de jornalismo não acha a rota perigosa. Na última semana, ele enviou uma mensagem dizendo que estava perto de entrar na selva e que seria rico nos Estados Unidos.
 


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