14/05/2024 às 16h26min - Atualizada em 14/05/2024 às 16h26min

Defesa Civil, bombeiros, Exército e voluntários: padre conta como salão de igreja virou QG para achar desaparecidos em Bento Gonçalves

Rio Grande do Sul vive a maior enchente da sua história desde 1941. Mais de 140 pessoas morream e outra centena de gaúchos está desaparecida.



 

A cidade de Bento Gonçalves, na Serra Gaúcha, somou mais de 100 deslizamentos de terra desde o início das chuvas no Rio Grande do Sul, no dia 1º de maio. O socorro, que começou com ajuda apenas da população e o poder público local, logo foi ampliado com o envio de profissionais e especialistas de várias partes do Brasil.

O g1 esteve em Bento Gonçalves e acompanhou o trabalho dos socorristas em uma espécie de quartel-general (QG) que foi montado na paróquia Nossa Senhora do Rosário, em Faria Lemos. Por lá, o espaço que antes servia para comemorações de casamentos, de batizados ou da tradicional desta de Santo Isidoro, agora recebe voluntários e profissionais que tentam encontrar vítimas das chuvas.

 

Segundo o padre Adelar Zanetti, o espaço que foi construído pela comunidade tem funcionado como um porto seguro para as vítimas e para os socorristas.

 

“Temos reunidos aqui os bombeiros do Rio Grande do Sul, tem bombeiro do Tocantins, da Bahia, do Rio de Janeiro, Distrito Federal. Temos também geólogo que vieram do Rio de Janeiro”, fala.

Segundo o padre, além dos agentes do Estado, que incluem militares do Exército, participam das operações moradores da cidade e de outras localidades próximas. Ele explica que o salão foi escolhido por causa do tamanho, da localização segura e da estrutura completa, que conta com banheiros, cozinha e dormitório.

O próprio pároco tem atuado na busca por desaparecidos. Nesta segunda-feira (13), antes de participar do sepultamento de vítimas, ele atuou na busca por Natália Cobalchini, de 27 anos. A jovem está desaparecida desde o desmoronamento ocorrido no começo do mês.

No domingo (5), foram encontrados os corpos dos pais de Natália: Artemio Cobalchini, mais conhecido como Neco, de 72 anos, e sua mãe, Ivonete Cobalchini, de 62. A irmã de Natália, Marina Cobalchini, de 43 anos, aguarda por notícias.

 

 

União entre sociedade civil e poder público

 

Padre Adelar explica que o salão da igreja virou um espaço de socorro logo nos primeiros dias de deslizamento. Com a ajuda da própria população, os feridos foram levados para o local, onde receberam ajuda e primeiros cuidados.

“No primeiro momento eu tinha as ambulâncias, com o pessoal da Saúde. As vítimas chegavam machucadas, molhadas. Elas eram examinadas e depois trocavam de roupa, tomavam um banho, se alimentavam. Eram os resgatados da primeira semana, tinha crianças e pets, que eram acolhidos”, diz.

Após o momento mais crítico dos resgates, o espaço foi se modificando e dando lugar para uma estrutura voltada para as buscas e recebimento de doações.

 

“Tem o departamento de cozinha, o de Saúde, o dos bombeiros e de toda organização, seja da prefeitura ou do Estado. Eu via que tinha reuniões no final da tarde para organizar os pontos de busca junto com o Exército”, relata o religioso ao g1.

Segundo Adelar Zanetti, a população civil foi fundamental nas primeiras horas da tragédia e, depois, o trabalho continuou em conjunto com as forças enviadas de várias partes do Brasil.

“A gente observou desde os primeiros dias o envolvimento maciço do poder público de Bento Gonçalves, isso dá para dizer tranquilamente. Do Estado também, do próprio Exército, do governo federal. Então, é todo um envolvimento”, fala.

Com a chegada da ajuda externa, a população foi fundamental para ajudar com o conhecimento sobre o terreno, diz Adelar. “Quem conhece mais a área é o pessoal da comunidade”.

 

“A questão da humanidade, se preocupar com o outro, isso é importante. Como está o outro? Onde está o outro? Isso é importante. Isso tem vindo dos moradores e do pessoal de fora. Nunca faltou alimentação. O envolvimento do pessoal é muito importante. Foi e é muito importante. Graças a Deus”, finaliza o padre.

 

 

Festa tradicional cancelada

 

Por causa dos trabalhos de busca e de auxílio às vítimas, a paróquia Nossa Senhora do Rosário cancelou a tradicional Festa de Santo Isidoro, que ocorreria no próximo domingo, 19 de maio.

"É uma festa tradicional e ela foi cancelada. Nessa oportunidade, ninguém tem espírito para fazer festa sabendo que pessoas faleceram e não estamos encontrando", diz.

Segundo o pároco, Santo Isidoro é o padroeiro dos agricultores. A cidade da Serra Gaúcha é conhecida pela produção de uvas e vinhos.

 

Números da tragédia

 

Até a manhã desta terça-feira (14), Bento Gonçalves havia registrado 9 mortes em decorrência das chuvas. Outras cinco pessoas seguiam desaparecidas, incluindo Natália Cobalchini.

Em todo o Rio Grande do Sul, são mais de 1400 mortes registradas e mais de uma centena de desaparecidos.

O estado completou, nesta segunda-feira (13), duas semanas da tragédia provocada pelos temporais e as cheias que atingem diversas regiões. No início da tarde, o lago Guaíba voltou a ultrapassar os 5 metros na capital Porto Alegre, depois de uma semana baixando lentamente.

As preocupações das autoridades são com a alta dos rios, desmoronamentos e tremores de terra, além da continuidade dos resgates das pessoas afetadas.


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