09/05/2024 às 16h08min - Atualizada em 09/05/2024 às 16h08min

Ex-promotor que matou jovem a tiros tem absolvição anulada e vai a júri popular no litoral de SP

Thales Ferri Schoedl foi acusado de matar um jovem e deixar outro ferido na Riviera de São Lourenço, em Bertioga, no litoral de São Paulo, em 2004. Inocentado por uma corte especial, ele será julgado após ser exonerado do cargo.



 

O ex-promotor de Justiça Thales Ferri Schoedl, que matou um jovem e deixou outro ferido após atirar contra eles em uma praia de Bertioga (SP), vai a júri popular 20 anos depois do crime. Conforme apurado pelo g1, nesta quinta-feira (8), a decisão que o absolveu foi anulada -- ele esta solto e respondendo em liberdade. (leia mais abaixo)

O caso aconteceu em 30 de dezembro de 2004 no fim de um luau na Praia da Riviera de São Lourenço. Schoedl, na época com 29 anos, foi preso em flagrante por atirar contra dois jovens, de 20. Felipe Cunha de Souza sobreviveu aos ferimentos, mas Diego Mendes Mondanez morreu após ser socorrido.

O ex-promotor alega ter atirado contra os jovens em legítima defesa. Na ocasião, Schoedl afirmou que os dois o teriam ameaçado e provocado a namorada dele.

Pelo cargo que ocupava, ele teve direito de ser julgado em 2008 pelos desembargadores do Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJ-SP). O réu foi absolvido por unanimidade, mas, devido aos recursos movidos, desde então responde ao processo em liberdade.

Por conta do homicídio, ele foi exonerado do cargo de promotor definitivamente em 2018, quando o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), acatou a decisão do Conselho Nacional do Ministério Público (MP) e determinou pela demissão de Schoedl.

Com a exoneração, o ex-promotor perdeu o direito ao foro especial e o primeiro julgamento foi anulado. Sendo assim, o réu vai a júri popular no dia 3 de junho, 20 anos depois do crime.

Defesa

 

Em nota, os advogados Fernando Cesar de Oliveira Faria e Diego Renoldi Quaresma de Oliveira destacaram que Schoedl foi absolvido, em 2008, porque agiu em legítima defesa. Eles reforçam que a corte especial do TJ-SP não baseou a decisão no cargo que o cliente deles ocupava.

O ex-promotor é atualmente advogado, escritor e professor. "Thales Ferri Schoedl confia que a justiça será feita perante o Tribunal do Júri", afirmou a defesa, em nota.

 

Luta por Justiça

 

O pai de Felipe Cunha de Souza, que está com 40 anos, contou à equipe de reportagem que o filho é chefe de cozinha. Mesmo após duas décadas do crime, a família celebrou a o fato de Schoedl ser levado a júri popular.

 

 

"A minha sensação é um misto de exaustão e de dever cumprido na busca da Justiça. Não foi fácil esse embate", disse o pai e médico Wilson Pereira Souza, de 74 anos.

 

Wilson complementou: "Tínhamos certeza que estávamos com a verdade do nosso lado e que esse cidadão, Thales Ferri Schoedl, merecia e merece ser penalizado", afirmou

 

Relembre o caso

 

Em 30 de dezembro de 2004, o promotor saiu de uma festa na Riviera de São Lourenço acompanhado da namorada, Mariana Ozores Bartoletti, quando passou por quatro jovens, entre eles as duas vítimas. À época, o ex-promotor alegou que um dos jovens teria mexido com a namorada dele.

Uma discussão começou e Schoedl teria sacado uma pistola Taurus, calibre 380, e disparado na direção das quatro pessoas. Os disparos atingiram Diego Mendes Modanez, que morreu, e Felipe Siqueira Cunha de Souza, que sobreviveu.


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