04/01/2023 às 16h33min - Atualizada em 04/01/2023 às 16h31min

De volta ao presente.

Embora o processo eleitoral tenha sido o mais lastimável possível, repleto de controvérsias e interferências, esse debate ficou para trás.

André Longobardi - We Channel
Fim das especulações, tensões e expectativas. Bolsonaro deixou o país, os militares permaneceram coadjuvantes, e o presidente Lula assumiu o protagonismo, subindo a rampa e iniciando um "novo de novo" ciclo político e administrativo no nosso Brasil. Embora o processo eleitoral tenha sido o mais lastimável possível, repleto de controvérsias e interferências, esse debate ficou para trás. O momento atual exige mais de todos, quer sejam vencedores ou perdedores, porque ao mesmo tempo que o novo governo terá a obrigação de realizar, a oposição terá o dever de fiscalizar, isso também é democracia, uma palavra que foi completamente deturpada e consequentemente banalizada nos últimos tempos. O governo Lula começou causando extrema preocupação, com o aumento do número de ministérios em 60% (criou 14 novos ministérios), o aparelhamento das instituições públicas e empresas públicas com loteamento de cargos entre a "companheirada" e apoiadores. Polêmicas afrontosas logo na largada, como o caso da extinção da política de educação bilíngue para surdos, instituída com a participação direta da ex-primeira dama; a declaração da ministra das mulheres, Aparecida Gonçalves (conhecida como Cida) sobre o aborto ser questão de saúde pública, negando a própria proposta de campanha; teve ainda o dantesco lobby do governo para aprovação do fim do Teto de Gastos através da "PEC DO ESTOURO". Sinais claros e inquestionáveis de "Alerta Vermelho" logo nos primeiros atos do governo, mas nada mais preocupante e estarrecedor que o fim dos programas de privatização das empresas públicas. É público e notório que a Lava Jato deflagrou o maior e mais nocivo esquema de corrupção da história mundial, com a recuperação de mais de R$ 25 bilhões, que foram devolvidos aos cofres públicos, fruto de roubos e desvios de capital envolvendo empresas públicas. A Lava Jato foi real, sendo reconhecida não só pela justiça brasileira, mas pelo mundo inteiro. Privatizar empresas públicas significa profissionalizar a gestão, estancar focos de corrupção, impedir aparelhamentos e apadrinhamentos políticos, e ao colocar fim nesse tipo de política, configura-se um grave retrocesso e não significa de maneira nenhuma proteção do patrimônio público ou do povo brasileiro pelo contrário o que vemos a olhos nus é o retorno de um sistema nefasto à cena do crime. Só nos Estados Unidos, a Petrobras teve que desembolsar cerca de R$ 4 bilhões para cobrir demandas judiciais e processos indenizatorios resultantes de atos de corrupção comprovados e reiterados. É importante destacar que a Lava Jato não foi ficção e ao longo de cinco anos seus efeitos práticos traduziram-se na condenação de 285 investigados, 600 réus e 3 mil anos de penas, endossadas em todas as instâncias da justiça brasileira. O próprio presidente Lula, foi condenado nos mesmos moldes tendo sido beneficiado pela prescrição de sua pena em função da idade, o que só ocorreu em virtude de uma manobra jurídica aplicada a qual mudou o foro de competência do processo, e o beneficiou pela prescrição dos crimes cometidos, o que não significa inocência ou absolvição. Em resumo, as empresas públicas que outrora amargavam altos prejuízos, passaram a dar bons lucros durante o governo do ex-presidente Bolsonaro, cujos processos de privatização que estavam em andamento foram agora extintos. A pergunta que se faz: no presente, o Brasil caminha para o futuro ou para o passado?
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Comentários »
  • 06/01/2023 às 02h52min

    muito boa análise amigo

  • Edimar escreveu:
    05/01/2023 às 09h17min

    Muito utópico e romântico, a parte que refere ao legislativo como órgão fiscalizador. Os interesses da população termina pós eleição. Prevalecendo a lógica dos interesses pessoais e corporativistas.

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